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Do livro Urbanos
SINTO DEMAIS VOCÊ
Poema de Euler Luther Walkan
Saio de casa pela manhã e sol, eu te sinto.
Deixo seu calor invadir meus diminutos poros
Deixo sua luz envolver meu corpo aberto
Ao seu toque suave, imenso, completo.
Sinto demais você sol todos os dias, infinitamente,
Sinta-me sol, não afasta sua intensidade de mim,
Não crie na tarde, aqueles chatos crepúsculos,
Não traga pra mim aquelas noites sem fim.
Se meu coração bate criando ondas de sentimento
Todo ele se estende somente na sua direção
Essa é a minha gratidão por fazer-me viver
Saiba dessa minha imensa e perfeita intenção.
Se olho sua plenitude, cega as minhas retinas,
Eu exposto ao seu abraço, queimas minha tez,
E sua sede é voraz,
Suga do meu corpo água em vapor.
E choro a soluçar por cair nos braços da sombra
Quem tem o dom de me consolar na dor.
Entendo luminoso globo como é vil a existência
De duas belas criações serem a meio termo
Compatíveis em curtos momentos.
Mas se é assim esse destino, eu me conformo,
Assim feito eu que lhe tanto admira
Outros iguais a mim o têm com grande estima
Sofre do mesmo teor sem nenhum contorno.

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